Cultura Activa

Entrevistas a várias personalidades ligadas à cultura
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Saturday, May 15, 2010

Pedro Soares


Pedro Soares é licenciado em Arquitectura, apesar de não exercer. É Presidente da Associação juvenil e cultural Experimentáculo, responsável pela maior parte dos eventos musicais na cidade de Setúbal. Faz parte da produtora de audiovisuais Low Cost Filmes, onde é produtor. Além disto é também colaborador do Setúbal na Rede, da Rua de Baixo e da Take.
Este "jovem" de 27 anos tem sido o responsável pela recente revolução cultural em Setúbal, que tanto de bem lhe trouxe.


1- Licenciou-se em Arquitectura, porém não exerce essa profissão. De onde surgiu o desejo em seguir Arquitectura e porque razão não exerce hoje em dia?
Na altura, pareceu uma boa ideia. Quer dizer, hoje ainda parece, foi uma boa ideia, de facto, mas talvez a arquitectura que encontrei cá fora não fosse a que estava à espera, a muitos níveis. No entanto, é uma área que me desperta grande interesse e, apesar de não estar a exercer actualmente -por várias contingências da vida -, não quer dizer que não faça parte do meu dia-a-dia.


2- É presidente de uma das mais importantes associações culturais de Setúbal, a Experimentáculo. Foi também fundador dessa associação. Quais são os principais objectivos da associação e porque razão decidiu cria-la?
A Experimentáculo é uma associação cultural que pretende dinamizar e estimular a cultura na cidade, especialmente nas áreas da música e do cinema. A associação nasceu do encontro das vontades e interesses comuns de um grupo de amigos que, insatisfeitos com o cenário da cultura que viam em
Setúbal na altura, se mostraram disponíveis para fazerem qualquer coisa. E essa coisa acabou por se chamar Experimentáculo.

3- Agora, alguns anos depois, tem tido o reconhecimento que esperava?
Não sei, é uma pergunta difícil de responder. Pessoalmente, acho que sim, especialmente no passado mais recente, uma vez que temos recebido algum
feedback positivo que nos deixa muito orgulhosos. No entanto, para quem está de fora torna-se mais fácil responder a essa pergunta, acho eu.


4- Como é para si organizar um concerto, ou outro evento? Como era o seu estado de espírito no dia em que realizou o seu primeiro evento e como é actualmente?
Tenho que admitir que hoje já não é como nos primeiros tempos. Com a experiência adquirida há muita coisa que fui melhorando e percebendo como funcionava de forma a resolver os problemas por antecipação. Mas continua sempre a haver aquele stress e a ansiedade, porque são situações em que surgem sempre os problemas mais inesperados. Organizar um concerto, por exemplo, está sujeito aquela lei de Murphy que diz que se algo pode correr
mal, vai correr. No entanto, o resultado final é sempre estimulante e excitante e, no final, o sentimento de dever cumprido continua a saber bem.


5- É produtor da Low Cost Filmes, produtora de audiovisuais sediada em Setúbal. Em que consiste este projecto?
A Low Cost Filmes é uma produtora de audiovisuais que oferece serviços vídeo em qualquer área que seja necessário uma câmara de vídeo: publicidade, institucionais, telediscos... Claro que também nos dedicamos às curtas-metragens e aos documentários, mas só fazer filmes não paga a luz e a água. Por isso, uns conciliam os outros e vice-versa.


6- A Low Cost Filmes foi recentemente premiada pelo videoclip "Realizador", de Monstro Mau. O júri era composto por importantes figuras do cinema, tais como Mário Augusto e Luísa Sequeira. Como foi para si receber este prémio? Foi um trabalho difícil de produzir?
O "Realizador" foi um projecto muito giro e rápido de se fazer. Nasceu quase por acaso, enquanto montávamos outro teledisco, depois de termos visto o anúncio do concurso. Juntámos a equipa, arranjámos o espaço e filmámos num dia. É um vídeo em que três dançarinas executam várias cenas de dança memoráveis da cultura popular. O mais giro é que nunca lhes vemos as caras, apenas os pés. Claro que foi uma grande honra receber este prémio, até porque o júri era composto por gente com créditos firmados.



7- Trabalha também na área da comunicação social. De onde surgiu esse seu interesse?
Surgiu de forma muito natural. Sempre gostei bastante de escrever e, há algum tempo, quando surgiu a oportunidade de colaborar com o portal cultural Rua de Baixo, acabei por aceitar. Era uma forma de me obrigar a escrever e de arranjar tempo para o fazer. Depois as coisas foram surgindo e fui colaborando com outros sítios, outras revistas e outros jornais.

8- Fale-nos um pouco dos seus gostos pessoais, nomeadamente no cinema, música, literatura, etc.
Esta pergunta pode ser respondida com um copy-paste do meu perfil do hi5. Estou a brincar. Não gosto de nada.

9- Como vê o estado actual da cultura em Setúbal face a exemplos de outras cidades portuguesas?
Acredito que Setúbal (e qualquer cidade por este mundo fora) tem a cultura que merece. Já fui muito pessimista em relação à cultura em Setúbal, mas nós temos que perceber que não podemos querer ser iguais a Lisboa ou a Nova Iorque. É certo que, sendo uma capital de distrito, Setúbal devia ter um papel mais activo e de maior destaque cultural. Mas o facto de isso não acontecer vem de um passado longo e de muitas condicionantes. Acho que isto dava matéria para um mestrado muito interessante.
Resumindo e baralhando: acho que a cultura setubalense não é tão má como a maioria das pessoas a pinta. Podia ser melhor? Claro que sim! E acho que a cidade está no bom caminho, com bons projectos em carteira, gente estimulante e empreendedora. Vamos lá ver é se não ficam todos a meio
caminho...

10- Como vê o actual estado da cultura em Portugal? O que faria para o impulsionar?
A cultura em Portugal acaba por reflectir o estado do país. Uma cultura de periferia, que sobrevive à custa de muito esforço e suor e que não tem uma verdadeira estratégia definida. O que faria para a impulsionar? Hmm... aconselhava-a a emigrar.


11- Que áreas culturais destaca em Portugal?
Como em todas as áreas, Portugal tem grandes representantes em todas as áreas da cultura. E isso é comprovado pelo reconhecimento que muitos deles recebem por esse mundo fora. O Siza, o Saramago, o Pedro Costa, a Paula Rego.. Por isso, acho que não consigo destacar nenhuma em especial. Só acho que nos continua a faltar um sucessor à altura do mítico Tarzan Taborda para nos representar condignamente no mundo da luta-livre profissional.

12- Como se vê daqui a 10 anos?
Ten years older and ten years wiser.


Monday, March 22, 2010

Cultura Activa no jornal "O Setubalense"

O blog Cultura Activa foi referenciado num dos principais jornais da cidade de Setúbal. O jornal "O Setubalense" publicou uma notícia sobre o blog e o seu criador.
Para lerem a notícia na íntegra basta clicarem na seguinte frase:



Obrigado ao jornal "O Setubalense", pelos elogios e apoio.
Brevemente uma nova entrevista neste blog cultural!

Thursday, February 11, 2010

Duarte Victor


Duarte Victor é um conhecido actor e encenador Português. Em 1976 começou a sua ligação com o Teatro de Animação de Setúbal, que ainda se mantém até hoje, ocupando o cargo de director.
Cara assídua no teatro e na televisão, Duarte Victor concedeu ao Cultura Activa uma entrevista bastante interessante.

1- Obrigado por esta entrevista. A primeira questão é óbvia mas necessária. Tem dado um contributo muito importante para a cultura em Portugal, nomeadamente no teatro e na televisão. De onde surgiu esse gosto pela representação?

Curiosamente através da poesia. Em 1974 vivia-se um período pós-revolução muito participativo e a poesia era uma arma contra o obscurantismo e a ignorância. Através das palavras dos grandes poetas universais, fui construindo uma filosofia de vida que me orientou no sentido das grandes questões humanistas e que teve maior expressão no teatro. O teatro passou a ser uma forma de comunicação por excelência quando, ainda muito jovem, em recitais de poesia me apercebi que era por aí que tinha de caminhar. Um terreno fértil por explorar, que me permitia ser autêntico e dar sentido às ideias que habitavam a minha consciência. Uma paixão que se revelou ao longo da minha vida e se consolidou no meu trabalho como encenador, actor e professor de Expressão Dramática.


2- Quais foram as suas grandes referências no campo profissional? E no campo pessoal?

Honestidade e coerência com os nossos princípios cruzam-se nas referências dos campos profissionais e pessoais. Como não acredito em mitos nem em ídolos, inspiro-me em grandes personalidades que deixaram ao longo da vida marcas indeléveis no génio humano, fazendo-nos sentir que podemos mudar o mundo para melhor. É nesta perspectiva que vejo o teatro.


3- Como vê o estado actual da cultura em Portugal e na sua cidade (Setúbal)?

Vivemos várias crises que são resultado dum grande desalento e desencanto provocado por uma sociedade sedenta de consumo, desumanizada e esvaziada de valores. A cultura alimenta o espírito mas o que se valoriza é o que alimenta o corpo. Cultivamos o belo exterior e esquecemos o interior. Mas é justamente na cultura que nos encontramos, que reforçamos os laços e a auto-estima. Penso que os nossos governantes ainda não interiorizaram esta questão fundamental que se arrasta há mais de 30 anos e que nos leva a reinvidicar os tão desejados 1% do PIB para a cultura. Dessa maneira também as autarquias terão autonomia financeira para implementar, apoiar e dinamizar actividades culturais com equipamentos suficientes à sua realização. Este é, por exemplo, um dos grandes problemas na nossa cidade. A falta de infraestruturas com qualidade suficiente para a realização de iniciativas culturais, que valorizem a cidade e a projectem como capital de distrito.

De modo geral, p

enso que há uma grande evolução em todas as areas culturais graças aos seus agentes e às autarquias que mais têm feito pela cultura no nosso país.

4- Que medidas é que deviam ser tomadas para impulsionar a cultura?

Seria enfadonho estar a referir uma longa lista de medidas urgentes que se perderiam numa simples entrevista como esta. Penso que o leitor estará mais interessado em saber quando e onde é que há teatro, musica, dança, exposições de arte, eventos, etc, na sua localidade. Pessoas como as que produzem blogues deste género têm a grande tarefa de fazer chegar a todos, a notícia de que algo está para acontecer em algum lado. Que os fazedores de cultura estão aí a trabalhar todos dias para que os dias de todos sejam mais felizes. É aí que reside o sentido da vida, na procura da felicidade.

5- Fale-nos um pouco sobre os seus gostos pessoais

Tenho um gosto bastante eclético, mas no cinema gosto da boa ficção científica ou de uma obra de autor, na música as preferências vão para o jazz e no teatro, além dos dramaturgos universais, gosto bastante dos autores do chamado Teatro de Absurdo.


6

- O teatro tem tido o apoio necessário? E em Setúbal, como é a actual situação do TAS?

Como na cultura em geral os apoios são insuficientes. Mas o TAS tem resistido pela persistencia dos seus elementos e a compreensão da autarquia que ao longo da sua existência tem apoiado e acarinhado.


7- Que conselho daria a quem pretende seguir teatro em Portugal?

Que o faça com paixão.