Cultura Activa

Entrevistas a várias personalidades ligadas à cultura
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Wednesday, May 26, 2010

Alexandra Figueiredo


Alexandra Figueiredo é inevitavelmente a caracterização física da denominação "Sex Symbol". Mas desengane-se quem pensa que o seu valor fica pela beleza exterior. Alexandra Figueiredo é licenciada em Comunicação Empresarial e Relações Públicas. Tem a sua própria agência de Comunicação - Alexandra Figueiredo, Comunicação e Relações Públicas.
Participou no programa "Às duas por três" na SIC, e ainda em "Maré Alta" e "Malucos do Riso".
Além de tudo isto é embaixadora da marca "Hollywood Nails" em Portugal. E ainda há tanto mais para descobrir sobre esta amante de Comunicação. Venha descobrir com o Cultura Activa!



1- É apaixonada pela comunicação, sendo relações públicas. De onde surgiu esse seu gosto? Concretamente, qual é o seu papel como relações públicas?
O meu gosto pela comunicação começou desde cedo, quando no 10º ano tive um professor de jornalismo que era tão apaixonante na forma de se expressar que contagiava! A par disso sempre fui muito boa aluna a Português e com um gosto enorme pela escrita e leitura.
No final do meu 12º ano já não tive dúvidas... A minha primeira opção foi Comunicação Empresarial e Relações Públicas na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, onde fiz o curso.
Aí aprendi, de facto, o que é a actividade das Relações Públicas e, que é muito mais completa, interessante e exigente que se possa pensar. Ser Relações Públicas não é só convidar para uma festa numa discoteca!
Actualmente tenho a minha própria Agência de Comunicação - Alexandra Figueiredo, Comunicação e Relações Públicas, que me ocupa grande parte do dia e que me dá um enorme prazer ver crescer!


2- Como foi para si a participação no programa "Às duas por três"?
Esse foi um programa com muito impacto na minha carreira, pois era um programa em directo na SIC, todas as tardes de segunda a sexta e com um público muito fiel. Marcou-me muito, quer pela equipa, como pela minha crescente importância no papel que desempenhava e que me garantiu a confiança das pessoas que apostaram em mim. Era um programa muito divertido com o José Figueiras, que ainda hoje admiro como amigo e profissional. Antes deste programa, trabalhei na TVI, com participações em diversas novelas como actriz, nos especiais que eram feitos pelo país durante o verão e num programa que também dava durante as tardes que era "A Vida é Bela", apresentado, na altura, pelo Carlos Ribeiro. Até à minha entrada na TVI, as minhas participações em televisão eram a cantar.
Entretanto apresentei durante 4 anos um programa sobre Astrologia que me permitiu crescer em frente às câmaras.

3- Maré Alta e Malucos do Riso foram outros dois programas onde participou. Que recordações guarda de ambos os programas? Tanto a nível de representação, como de pessoas com que trabalhou.
De facto sempre gostei de aceitar os desafios que me eram propostos e, enquanto estive na SIC, muitos foram os programas nos quais entrei, nomeadamente os dois que referiu, assim como a série "Camilo em Sarilhos", "Camilo a Presidente" ou mesmo a série de Apanhados da SIC, na altura com o Nuno Graciano e Nuno Eiró, que foi, muito provavelmente, o programa que fiz até hoje em que mais me diverti.
As equipas de trabalho em todos estes projectos eram fantásticas e os actores ensinaram-me imenso... alguns deles mais velhos e que, infelizmente, já não estão entre nós.

4- Foi também apresentadora de um programa no canal "Viver". Como foi para si ser apresentadora? Foi de certo uma experiência muito diferente da vivida nos Malucos do Riso.
Muito diferente mesmo! Nos Malucos do Riso estava como actriz convidada, tinha textos, desempenhava várias personagens e assumia uma postura de comédia, onde todas as expressões são levadas ao limite, para caracterizar e marcar bem as personagens. No programa que começou por ser transmitido no canal Viver e depois passou para um canal generalista, o meu papel era de apresentadora e moderadora entre um convidado fixo e pessoas reais que ligavam em directo e que, regra geral, tinham problemas graves. Por aqui se vê, que a minha postura não podia ter nada de cómica ou falsa. Pelo contrário, até cheguei a emocionar-me em directo. Nesse programa fui muito eu. Muito genuína!


5- Está actualmente no canal Benfica. Qual é a sua ligação ao clube? Como é para si trabalhar num canal objectivamente desportivo?
A minha ligação ao Benfica é de Amor incondicional à camisola! Sou benfiquista assumida e quase a roçar o "doente". Não gosto de falar de outros clubes e confesso que as piadas em torno do Benfica me caiem mal... :)
Defendo o meu clube, por ser o melhor do Mundo, como se defende a nossa casa ou família.
Entretanto, a minha presença mais marcada no clube, começou quando fui conhecendo pessoas que lá trabalhavam e que foram apostando em mim. Não perco um jogo e este ano, estou, como todos os adeptos, de "barriga cheia" e com a alma em euforia!
Adoro desporto no geral, e de diversas modalidades e uma coisa que gostava imenso, era de ter uma crónica semanal no Jornal A Bola!

6- É também organizadora de eventos. Descreva-nos um pouco dos eventos que costuma organizar e da preparação antes de cada evento.
A organização de eventos vem por inerência à actividade da minha agência. Na minha agência de comunicação, trabalho a conta de um cliente a nível de assessoria mediática, comunicação interna e externa, o que muitas vezes implica a apresentação de um produto ou serviço a alguns convidados especiais e media. Isso implica a escolha detalhada de tudo e a organização ao pormenor de datas, horários, o local, o convite, as pessoas certas a convidar, o follow-up, o catering, a decoração, a animação, os audiovisuais, o gift, etc... Adoro o que faço!
Mas o evento não acaba no dia em que acontece como se possa pensar, há ainda o pós-evento que passa pelo acompanhamento e certeza da satisfação dos media e convidados presentes e, claro, o cliente em causa.


7- É embaixadora da Marca Holywood Nails em Portugal. Como tem sido para si essa experiência, tendo em conta que representa uma marca de prestígio internacional.
Tenho a minha imagem associada à Hollywood Nails à cerca de 1 ano e estou super satisfeita. O convite foi-me feito directamente pelo Bruno e pela Cila, os master-franshising da marca em Portugal e a partir daí temos tido uma óptima relação quer profissional, como de amizade. São pessoas muito afáveis e muito profissionais e a qualidade, quer dos produtos, como do serviço é cativante.
A Hollywood Nails tem um leque de opções, não só na arte das unhas, mas também noutros métodos, como extensões de pestanas e cabelos.
A par disso, já organizei com a Cila e o Bruno a inauguração da primeira loja em shopping, que foi em Junho do ano passado no Colombo.
Aconselho todas as pessoas que gostem de estar bem, bonitas e com umas mãos arranjadas, a irem à loja da Av. de Berna. A satisfação é garantida!

8- Fale-nos um pouco dos seus gostos pessoais, nomeadamente no cinema, literatura, música, etc.
Como disse, sempre gostei imenso de ler, desde muito nova. A leitura faz parte dos meus prazeres diários e os temas são diversos. Tanto posso ler romances, como textos técnicos, porque sou muito curiosa. Gosto de ler sobre medicina e tecnologia.
A primeira coisa que faço quando saio de casa é tomar o pequeno almoço na pastelaria da minha rua e ler os jornais generalistas e desportivos do dia, a par das revistas sociais. Sei, até pela profissão que tenho, a data de saída de todas as revistas e não descuro essa meia hora de leitura logo de manhã. As coisas mais técnicas deixo para o final do dia. Sou incapaz de começar a ler um livro apenas... tenho sempre na mesa de cabeceira três diferentes que vou alternando mediante o estado de espírito dessa noite. Uns são de leitura mais leve para os dias em que me sinto mais cansada, outros mais profundos quando tenho mais tempo.
Quanto à música não vivo sem ela desde pequena. Acho até que o meu caminho profissional de hoje, se deve à música, porque desde os 5 anos, quando os meus pais me puseram a cantar no Coro de Santo Amaro de Oeiras, que fiquei apaixonada por este meio artístico. Depois fiz rádio, cantei com outros cantores, fiz coros para diversos artistas, como por exemplo o Tony Carreira, participei durante 4 anos num grupo que eram os Pop Kids, e daí até ficar com o bichinho do palco e da exposição, foi um pulo!
Para além da leitura e da música, adoro cinema e teatro. Vou uma vez por semana a um espectáculo ou filme. Adoro tourada e tudo o que são programas desportivos.


9- Como vê o actual estado da cultura em Portugal? O que faria para o impulsionar? Que áreas artísticas destaca em Portugal?
Creio que estamos a desenvolver essa área muito bem e cada vez melhor. O que acho que falta é divulgação junto do público em geral. As entidades competentes esforçam-se para que existam espectáculos de qualidade, a questão é que muitas vezes não chegam ao conhecimento do grande público. Depois, mudaria o preço de alguns bilhetes para certas exposições, bailados, etc. Os apoios nesta área são muito importantes.
De qualquer forma, destaco o empenho das entidades locais e autarquias que são muito mais rigorosas nesse sentido.


10- É uma mulher multifacetada, um exemplo de sucesso em várias áreas. Como tem sido para si gerir tantas áreas distintas? Que conselho daria a quem pretende seguir algo relacionado com a comunicação?
É verdade que me dedico a inúmeras áreas. Para além da agência, trabalho em moda, em televisão, sou Repórter da Cabovisão, o que me permite andar por todos os pontos do país a fazer reportagens em eventos ou festas marcantes, faço apresentações em eventos corporate, desfiles de moda, etc. Mas tudo isto se deve a muito trabalho diário, a uma dedicação quase exclusiva à profissão e à motivação que tenho cada vez que sei que vou fazer um trabalho. Acordo todos os dias motivada, feliz e agradecida por ter trabalho, por ter pessoas que confiam no meu profissionalismo e por estar bem de saúde para poder continuar.
Um conselho? Dedicarmo-nos à actividade que gostamos, seja a comunicar, a dançar, a pintar ou a gerir uma empresa.


Sunday, April 25, 2010

Tiago Rebelo

Tiago Rebelo é um dos escritores do momento em Portugal. O seu livro "O Homem que sonhava ser Hitler" tem lhe valido vários elogios da crítica. Ao longo de vários anos Tiago Rebelo conciliou a sua profissão de jornalista ( está há 16 anos ligado à TVI) com a de escritor. Ao Cultura Activa explica-nos como é possível conciliar essas duas profissões e mostra-nos um pouco mais além do homem com uma carreira repleta de sucessos.




1- Nos últimos nove anos publicou quinze livros. Como é que concilia a sua profissão de jornalista com a de escritor? Qual delas lhe dá realmente mais satisfação?

Tenho as duas profissões, cada uma com o seu espaço. Como a de jornalista tem horários, a de escritor adapta-se, mas normalmente escrevo de noite. Quando se gosta arranja-se sempre tempo. Não prefiro verdadeiramente uma delas, gosto das duas.


2- A sua ligação à Rádio Renascença durou oito longos anos. Como foi para si participar nesse projecto?

Foi muito bom. A rádio dá muita experiência de comunicação, especialmente para quem vai trabalhar a seguir na televisão. Eu comecei na rádio e foi através dela que fiz algumas das reportagens de momentos históricos mundiais, como a Guerra do Golfo.


3- Está ligado à TVI há já dezasseis anos. Como tem sido a sua evolução como jornalista nessa estação televisiva? Tendo em conta o seu início de carreira e o momento actual.

São, de facto, muitos anos a trabalhar em televisão (também estive três anos na RTP) e representam uma evolução com a experiência acumulada, até porque a própria televisão também teve uma enorme evolução durante estes anos.


4- O seu novo livro, " O Homem que sonhava ser Hitler", fala de democracia e situações extremas. Do seu ponto de vista, como é que vê a actual democracia praticada em Portugal?

É uma democracia bastante pobre, com políticos de pouca qualidade e, muitos deles, com uma ética muito duvidosa. O meu livro reflecte esta avaliação do momento presente. Mas a situação também é reflexo de uma sociedade pouco exigente e pouco interventiva, que se limita a deixar o seu destino nas mãos desses políticos.



5- Como tem sido para si a vida de jornalismo? A nível pessoal, de experiências e vivências, e a nível profissional. Foi algo que sempre quis fazer?

Foi algo que eu sempre quis fazer e, embora seja uma profissão que também tem a sua rotina e as suas frustrações, dá-nos oportunidade de participar em acontecimentos como nenhuma outra.


6- É um escritor bastante versátil, escrevendo desde livros para crianças a questões sociais e humanas. Onde vai buscar a inspiração para chegar a tantos pontos opostos? Quais as suas influências?

Um escritor escreve sobre aquilo que conhece, caso contrário não teria nada para escrever. Aquilo que eu escrevo aborda os assuntos que, a cada momento, me entusiasmam. Quanto às histórias propriamente ditas, são fruto de um trabalho diário. Enquanto escrevo vou descobrindo o caminho e o desfecho dessas mesmas histórias.


7- Quais são os seus gostos culturais? Nomeadamente no cinema, música, literatura, etc?

De literatura, leio um pouco de tudo, de uma forma um pouco errante. Gosto de ler bocados de livros, às vezes só para ver como escrevem os outros autores. Também gosto de ler livros sem parar quando fico preso a eles. A música que mais ouço é a que dá na rádio, Mega FM, Comercial. Gosto particularmente de cinema e isso aliás, reflecte-se na minha forma de escrever, bastante visual.



8- Como vê o actual estado da cultura em Portugal? Que medidas tomaria para impulsionar a cultura?

Acho que a cultura em Portugal é pobre. O actual Primeiro-Ministro, no final do seu primeiro governo, admitiu que tinha deixado a cultura para trás, o que é lamentável, tanto mais porque tomou esse exemplo de auto-crítica dando a impressão de que era, para ele, o menos mau para mostrar uma certa humildade. Eu entendo que a cultura não deve ser subsídio-dependente, mas penso que deve ser protegida. As figuras da cultura estão sempre entre os principais embaixadores de todos os povos e uma sociedade que não tem uma cultura forte é uma sociedade atrasada e pobre. O cinema em Portugal não tem expressão, a música portuguesa quase não passa nas rádios, não existem verdadeiras indústrias destas artes. Não temos museus de referência e a literatura ainda é a que vai estando melhor, embora seja muito difícil um autor subsistir da escrita.


9- Que áreas culturais destaca em Portugal?

A literatura e a pintura vão tendo alguma projecção, mas muito pouca.



10- Se pudesse escolher uma pessoa para governar o país quem seria?

Não escolheria ninguém em particular. Infelizmente, os partidos não nos dão escolhas de grande qualidade e quando votamos devemos fazê-lo tendo em conta factores como os projectos políticos e os seus representantes. Não se pode esperar que um Primeiro-Ministro sozinho seja a solução de todos os problemas. Precisamos de muitos políticos de qualidade, tanto no governo como na oposição. E precisamos de uma sociedade que não pense que o país pode ficar entregue a meia-dúzia de políticos e que depois se queixe na mesa do café. Precisamos de uma sociedade que, quando acusa alguns políticos de serem vigaristas, depois não vá votar neles, argumentando que são vigaristas competentes.


11- Que conselho daria a quem pretende iniciar uma carreira de jornalismo?

É uma profissão muito exigente e só deve ir para ela quem se sentir mesmo com vocação. Hoje em dia é muito difícil entrar na profissão porque há pouca oferta de trabalho. Também por isso, não se ganha muito. Mas, a persistência é uma das maiores virtudes.



Saturday, April 3, 2010

Mila Ferreira


Mila Ferreira é cantora, actriz, advogada e praticante de ballet. Já trabalhou na rádio e na televisão. Mila é uma pessoa apaixonada pela comunicação, pela justiça e pela dança, sendo que o seu lado sonhador se une a todas as suas "profissões" e hobbies, permitindo-lhe fazer tudo com o máximo empenho e enorme qualidade. Uma grande cantora e uma grande mulher em entrevista ao blog Cultura Activa.



1- Desde muito pequena que canta, que a música faz parte de si. De onde vem esse desejo em cantar e pela música em geral?
Sim, sempre fez parte da minha vida desde a infância. Sempre brinquei aos festivais e cantei para os professores e colegas de escola. Penso que é de família. Quer o meu pai, quer o meu avô eram músicos amadores.


2- Além da música sempre teve uma profunda ligação com o Ballet, a Advocacia e a representação? Como concilia esses três gostos/profissões com a vida de cantora? Qual prefere e porquê?
Tenho uma grande paixão por tudo o que faço. Pela dança, porque além de voar a alma, também voa o corpo, o que é maravilhoso. Pelas outras todas, onde incluo também a apresentação de programas, porque, como costumo dizer, sou sobretudo uma comunicadora e que adora o que faz. Comunico através da voz falada ou cantada, através da palavra quando defendo pretensões jurídicas e comunico através do corpo, no caso do ballet. Tenho uma grande paixão por tudo o que faço. Umas coisas por um motivo, outras por outro.


3- Como foi para si ser chamada para uma audição na Valentim de Carvalho? Tendo em conta que era ainda tão jovem.
Foi muito interessante, porque eu tinha muita coragem e escrevi uma carta, referindo que gostaria de dar continuidade à minha carreira como cantora, a qual já tinha iniciado com as “Alegres Comadres”. Fui chamada pelo meu querido amigo Nuno Rodrigues que me fez um casting e fiquei escolhida para integrar a Banda do Casaco. Por ser tão jovem, o Nuno e a mulher deram-me guarida na sua casa até ficarem concluídas as gravações.


4- Como vê o estado actual da música em Portugal? Considera que foi mais dificil para si, naquele tempo, ter sucesso na música do que é actualmente?
A música está a passar uma fase muito boa em termos de criatividade, mas uma fase muito má em termos de apoios.
Antigamente era mais fácil, tinha-se mais carinho, admiração e respeito pela arte, pelo talento e por tudo o que respirava cultura. Agora há uma grande clivagem, por um lado, aquilo que é muito erudito e que ainda tem algum apoio, por outro, toda a restante música e mete-se tudo no mesmo saco, e não se dá a visibilidade necessária aquilo que vai saindo e que é realmente bom.
Antigamente tinha-se sucesso mais facilmente, porque também se tinha mais visibilidade.
Por outro lado, o facto de não existir regulamentação que proteja as obras e os seus autores e que permita downloads ilegais, leva a que em breve a música deixe de ser produzida, porque não se vende. Um mundo sem música é sempre um mundo mais pobre e isso as pessoas ainda não têm consciência.


5- Fale-nos um pouco do programa da TVI "Queridos Inimigos". Como foi para si o tempo que lá passou? E o "Made In Portugal", da RTP?
No programa "Queridos Inimigos" foram meses, dias, horas maravilhosas. Trabalhei com pessoas muito queridas, muito talentosas e profissionais de quem fiquei profundamente amiga. Agradeço muito a grande oportunidade que tive e todos os dias de felicidade que me proporcionaram.
No "Made In Portugal" foram momentos mágicos em que fiz, com toda a entrega e dedicação, aquilo que tanto amo: comunicar. Éramos uma equipa muito boa, harmoniosa e muito profissional!


6- De todos os sítios onde actuou, quais os que guarda mais carinho e porquê?
De todos por onde passei. Cada local tem uma história, uma magia própria. Adorei humanamente todas as experiências. Poderia cantar com mais ou menos condições, mas a verdade é que guardo grandes recordações das relações humanas que estabeleci. São momentos maravilhosos em que acabamos por receber sempre muito mais do que aquilo que damos. Embora tenha gostado de actuar em todos os locais, guardo com muito carinho as minhas actuações em Caldas da Rainha (a minha segunda terra).


7- Fale-nos de um momento pessoal e outro profissional que a tenham marcado em especial.

Pessoal, conhecer o meu marido.

Profissionalmente são tantas que é difícil escolher. De qualquer modo, sou da opinião que o melhor ainda está para vir, sobretudo porque ainda não lhes conheço o sabor. Gosto de saborear todos os momentos, doce e suavemente, para os reter durante muito mais tempo no meu interior.


8- Fale-nos um pouco dos seus gostos pessoais a nível musical, cinema, literário, artes, etc.
Sou muito ecléctica. Na música gosto desde ópera (que canto), a pop, rock, enfim toda a música o que me faça sentir viva e me transmita boas sensações. Ao nível do cinema gosto do cinema americano, quanto ao drama e depois gosto de um cinema menos comercial, nomeadamente do cinema francês e do espanhol. Gosto de um cinema com menos efeitos especiais e com mais mensagem. Ao nível da literatura, gosto de poesia, romance, mas, sobretudo, de livros documento, seja biográfico seja histórico.


9- Qual a sua opinião sobre o estado actual da cultura em Portugal? Que áreas destaca? O que deveria mudar?
Quanto a cultura, estamos um pouco mal. Ainda não tomámos consciência de que a alma também precisa ser alimentada e que sem cultura as pessoas murcham interiormente. Devia mudar-se, sobretudo, a visão acerca da importância que lhe é dada e, em atenção a essa importância, dar-lhe todo o apoio que a cultura merece.


10 -A sua carreira musical é plena de sucessos. Que momento é que destaca como tendo sido o mais satisfatório da sua carreira musical?

A fase em gravei o meu primeiro disco, foi uma sensação muito bonita. E depois sempre que edito um novo disco. Quanto ao “Vem Voar”, fiquei muito feliz porque acho que consegui um pouco daquilo que pretendia: tocar o coração das pessoas nem que seja só um pouquinho.



11- É um exemplo de uma pessoa multifacetada e com sucesso em diversas áreas. Que conselho/os daria a quem pretende ter sucesso profissional, seja na música, escola ou outro projecto?

Sou uma pessoa de facto bastante polivalente. Quanto ao sucesso, agradeço as suas palavras. O meu conselho é que as pessoas corram atrás do seu sonho e daquilo que verdadeiramente gostam de fazer. Também digo que devem ter alguma precaução e que não devem ter ilusões, pois, a arte em particular, é uma actividade cíclica e isso acaba por ter reflexos do ponto de vista emocional. Actualmente também não é uma actividade tão compensadora como à partida as pessoas que estão de fora possam pensar. Se gostam realmente do que fazem devem estar dispostas a viver as alegrias, mas, também preparar-se para os momentos mais difíceis e duros.